
Em painel do Grupo RBS na Expointer, candidato defendeu abertura de mercados internacionais, agregação de valor à produção e investimentos em logística. / Foto: Joel Vargas
O candidato ao governo do Estado Gabriel Souza (MDB) apresentou, nesta sexta-feira (28), um conjunto de propostas para aumentar a competitividade do agronegócio gaúcho durante o Painel do Agronegócio, promovido pelo Grupo RBS na Expointer. Entre as principais medidas estão a criação do maior programa de irrigação da história do Rio Grande do Sul, incentivos à pecuária, políticas para agregar valor à produção dentro do Estado, abertura de novos mercados e investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias.
Ao lado de Ernani Polo (PSD), candidato a vice-governador pela coligação Nosso Rio Grande Não Para — MDB, PSD e Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade), Gabriel destacou a ligação da chapa com o setor. Médico veterinário, ele recordou que Ernani é produtor rural e já comandou a Secretaria da Agricultura. “O governador não pode terceirizar o assunto do agro. Tem que conhecer o setor, seus desafios e saber o que precisa ser feito”, ressaltou.
A principal proposta apresentada foi a ampliação da irrigação. Gabriel quer prorrogar o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e utilizar parte dos recursos para financiar uma política permanente de proteção das lavouras. A meta apresentada pelo candidato é elevar a área irrigada da soja, hoje inferior a 4%, para próximo de 20%, além de amplificar ações de manejo e recuperação do solo nas áreas onde a irrigação não for viável.
“Vamos fazer o maior programa de irrigação da história do Rio Grande do Sul. Precisamos proteger as lavouras e dar segurança para quem produz”, disse. Segundo Gabriel, a medida também é uma forma de atacar estruturalmente o endividamento rural. “Daqui a dez anos, eu não quero ver o produtor gaúcho voltando a Brasília para renegociar dívidas acumuladas por causa de novas estiagens. Precisamos resolver o problema antes que a dívida aconteça novamente.”
Para a pecuária, Gabriel defendeu uma política baseada no fortalecimento de toda a cadeia produtiva, com atenção especial aos pequenos produtores. Entre as propostas está a criação de incentivos à cria e recria, além de mecanismos para estimular a indústria frigorífica gaúcha a processar uma parcela maior dos animais produzidos no Rio Grande do Sul.
A intenção, segundo o candidato, é ampliar a geração de renda e empregos dentro do próprio Estado. Gabriel também defendeu instrumentos para preservar e atrair investimentos da indústria diante das mudanças provocadas pela reforma tributária.
O mesmo princípio será aplicado aos grãos. A proposta do candidato é alongar as cadeias produtivas, maximizando a industrialização da produção antes da comercialização. O candidato citou como exemplos a expansão dos biocombustíveis, o esmagamento da soja e o uso do farelo e do milho na produção de proteína animal.

Outra frente apresentada foi a ampliação das exportações. Gabriel pretende fortalecer a atuação da InvestRS na busca por compradores e investimentos internacionais, especialmente na Ásia. O candidato destacou a abertura de um escritório da agência em Xangai, na China, e recordou de missões realizadas pelo governo estadual para ampliar mercados para produtos gaúchos.
Segundo ele, a qualidade genética e sanitária da produção gaúcha cria espaço para aumentar as vendas de carne bovina, suína, aves e demais produtos do agro. “Nós temos produtos de alta qualidade. Precisamos abrir portas e colocar mais compradores no mercado para o produtor gaúcho.”
Gabriel também colocou a infraestrutura entre os pilares para aumentar a competitividade do setor. A proposta inclui a atração de investimentos privados para ampliar e duplicar rodovias, a continuidade da dragagem dos canais e hidrovias e uma atuação junto ao governo federal para garantir uma concessão ferroviária que atenda às necessidades logísticas do Estado.
Ao encerrar a participação, Gabriel lembrou que o Estado avançou da 9ª para a 4ª posição no Ranking Nacional de Competitividade dos Estados e afirmou que a meta é chegar à liderança. Para isso, destacou que o agro terá papel decisivo. “Para tornar o agro mais competitivo, precisamos resolver o endividamento, proteger as lavouras para o futuro, investir em irrigação e manejo do solo, alongar as cadeias produtivas e abrir novos mercados para vender mais os nossos produtos”, resumiu.